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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

NBA amplia alcance no Brasil ao fechar com o Sportv



Segundo o colunista da Veja, Lauro Jardim, os canais Sportv e a NBA firmaram um acordo de transmissão da liga norte-americana também para o sistema Globosat. Ainda conforme a nota, o contrato seria de oito ano (mas vi por aí dizendo 6 anos) e a primeira transmissão aconteceria já no dia 24 de fevereiro, uma terça-feira.

Isso em nada muda as transmissões nos canais ESPN, Space e Sports +, este último apenas na Sky. Seria mais uma emissora a exibir as partidas, diversificando as transmissões para os assinantes da TV fechada.

Caso seja confirmado o acordo, a NBA amplia e muito seu alcance no Brasil, já que o Sportv é um dos dez canais por assinatura mais assistidos no país (o esportivo mais visto), bem à frente de Space e ESPN, respectivamente.   

Ao contrário de ESPN e Space, o Sportv é figura fácil de se encontrar em pacotes básicos da TV. Usando como exemplo as três maiores operadoras de TV no Brasil: Net, Sky e Claro, vemos que o Sportv está inserido em todos os pacotes mais básicos, os de menor valor.

Na Net, os canais ESPN não estão no pacote de menor valor da operadora. Em compensação, Space e Sportv estão. Na Sky, o pacote de menor valor é na modalidade pré-paga, e possui apenas o Sportv 2. Já o da Claro, também possui apenas o Sportv 2. Os três estão na faixa entre 50 e 60 reais. 

Ou seja, ao se confirmar a parceria, a liga norte-americana aumentaria seu alcance para praticamente toda a base de assinantes de TV no Brasil, que é algo em torno de 20 milhões de contratos, atingindo uns 65 milhões de brasileiros.

Além disso, o número de jogos transmitidos também aumenta. Outro ponto importante é a parceria entre NBA e Liga Nacional de Basquete, o que até possibilita uma rodada dupla entre o NBB e a NBA, algo que certamente ajudaria em elevar a audiência do nosso basquete. Na TV aberta, por exemplo, é comum emissoras colocarem produtos que alavancam audiência próximo a outros.

John Raoux - AP
O próprio Arnon de Mello, representante da NBA no Brasil, disse no evento de assinatura do acordo entre NBA e LNB, que o Sportv já é considerado parceiro da NBA e que seria mais fácil a mesma ser exibida em mais canais que o NBB. Lembrando também que o Sportv transmitiu os três jogos do Flamengo nos EUA contra times da NBA.

Mais um ponto a se destacar sobre isso é que mesmo ainda existindo produtos exclusivos, a TV por assinatura acaba por diversificar contratos. UEFA Champions League, UFC e NFL são raras exceções.

NFL e UFC optam pela exclusividade, mas por algum tempo vimos Band Sports e ESPN dividirem o contrato da primeira. Já o UFC mantém sua exclusividade na Globosat muito por causa do sistema pay-per-view no Canal Combate. E caso a Champions League tivesse sido adquirida pela ESPN, esta seria repassada também ao Sportv, quebrando a exclusividade.

Para fechar, a NBA dá mais um passo importante para que o brasileiro possa ver seu produto, afinal de contas, nem todos possuem condições de pagar um League Pass, seja por questão financeira, ou mesmo por não possuir um cartão de crédito compatível com os modos de pagamento.

Quanto mais avançamos na TV por assinatura, mais nos aproximamos do modelo norte-americano de divisão de contratos (NFL, MLB, NBA, NHL, Nascar...), mais vemos que nossa TV aberta precisa repensar sua existência e mais vemos que a divisão (inexistente) de transmissões de nosso futebol está errada. 

sábado, 20 de dezembro de 2014

Basquete: vale a pena investir na TV aberta?



Falamos diversas vezes da importância da transmissão do basquete na TV aberta, principalmente na Rede Globo, afinal de contas é a emissora de televisão mais assistida, com média de 13 pontos (um ponto vale por volta de 62 mil TVs ligadas). Mas com o crescimento da televisão por assinatura e de seus canais segmentados, será mesmo que fazer de tudo para ter jogos nos canais abertos é mesmo a saída?

Numa conversa com o comentarista esportivo Álvaro José, ele disse algo muito importante: a segmentação da TV é algo mundial e que deve fazer muita coisa migrar para os canais por assinatura. “Nos EUA, a TNT já teve pouca audiência, hoje tem um alcance de 200 milhões de pessoas (2/3 da população), quase uma TV aberta”, disse. A conversa completa publicarei em breve.

A TV como conhecemos precisa e vai mudar mudar porque perde audiência a cada dia para a canais por assinatura, internet, serviços on demand como Netflix, videogames e os canais pequenos.

Inclusive a internet é de grande potencial, já que o League Pass das ligas americanas fazem muito sucesso e o Brasil já é o quinto consumidor do serviço da NBA por internet. As possibilidades da internet já são exploradas pela LNB, já que nesta edição do NBB vemos ao menos dois jogos por semana no site da liga. É pouco, mas é um começo. 

Em compensação a queda dos canais abertos, a TV por assinatura cresce a cada ano, atingindo já as 19 milhões de assinaturas (estima-se 23 milhões, sendo 4 milhões de sinais piratas), muitas com preços promocionais, pontos adicionais em HD, combos com internet e tudo mais. Aliás, o serviço de TV é um dos únicos no país com liberdade de escolha entre as operadoras, por mais que os canais basicamente sempre sejam os mesmos.

Só para se ter uma ideia, se somarmos os canais pequenos e a TV por assinatura (denominados OCN), já temos o segundo canal mais assistido, à frente de Record e SBT que lutam pelo vice no ranking de audiência com média de 5 pontos. E durante o horário eleitoral, por exemplo, os OCNs chegaram a 23 pontos em São Paulo e apenas para lembrar, a média da Globo, como colocado no primeiro parágrafo é de 13, mas em 2006 era quase o dobro. 

“Se temos 19 milhões de assinatura, multiplicamos pela metodologia do Ibope (3,2), temos mais de 60 milhões de pessoas que podemos alcançar hoje”, explicou Álvaro José. Já temos quase 1/3 da população brasileira com acesso aos canais pagos, mas já 40% no sudeste brasileiro.

Nisso, os segmentos de TV por assinatura e internet banda larga seguem descendo no Brasil. Segundo a ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), 2014 já registrou 2 milhões de novos assinantes de TV e mais 1,1 milhão de novos contratos de banda larga.


Números nem sempre dizem tudo


Crédito: Arthur Marega Filho
Claro que 23 pontos durante o horário eleitoral, divididos em uma centena de canais, não representa muito. Mas a TV paga já molda muita coisa nos canais abertos, como a programação infantil. Dos dez canais mais vistos, quatro eram infantis, explicando porque quase não vemos mais desenhos nos canais abertos.

Um dos canais é esportivo, exatamente o Sportv, que deve em breve passar a transmitir, além do NBB, também a NBA junto de Space, ESPN e Sports+.

Mas para lembrar os números do NBB na Rede Globo: a final do NBB 5 registrou 5,4 pontos (mais ou menos 334 mil TVs), do NBB 6 registrou 4,8 (mais ou menos 297 mil TVs), ambos disputados em um sábado, às 10h da manhã. Nos dois casos houve disputa quase igual com o Esporte Fantástico da Record e com o Sábado Animado do SBT.

Não são índices ruins para a atualidade da TV aberta, mas também não garanto que ceder duas horas na manhã de sábado farão uma grande alavanca para o basquete nacional. Isso sem falar do basquete feminino, de tantos jogos na TV Bandeirantes nos anos 90, outros tempos...

Mesmo que só tenhamos 1/3 do Brasil com TV por assinatura e com a concorrência do futebol na TV aberta (basta lembrar que basicamente F-1, Indy e UFC apenas quebram isso e o vôlei esporadicamente), a TV por assinatura realmente pode ser a saída.   

Uma das ideias aproveitar o potencial da TV por assinatura é a fidelização do espectador com o NBB. Os horários dos jogos variaram muito nessas sete edições do campeonato, já foram domingo de manhã, sexta-feira, terça-feira, quinta-feira à noite, sábado no horário do almoço e até às 22h.

Para essa temporada, foram extintos os jogos de fim de semana para que o canal Sportv transmita dois por semana, um na terça-feira e outro na sexta-feira, ambos mais ou menos no mesmo horário, entre 19h e 20h, criando ali um horário fixo para o NBB.


Na NBA, por exemplo, os horários de ESPN e Space são fixos, variando apenas se temos ou não horário de verão. Aliás, o Space andou abocanhando a liderança de segmento de homens entre 24 e 49 anos na TV paga e sabemos que agora as duas ligas, NBA e LNB são parceiras.

Talvez não estejamos entendendo o período que a TV aberta passa, sua transformação por todos aqueles motivos que já citei, mas o crescimento da TV por assinatura é algo que não tem mais volta e também aposto nela. 

O próprio futebol tem perdido público nos canais abertos com audiências cada vez menores, também resultado da perda geral de público das emissoras abertas.

De fato, com o crescimento da TV por assinatura e também dos canais esportivos (já são 12) e a maior segmentação de programação deve dar um novo panorama para a transmissão esportiva no país. 

E como nos Estados Unidos, logo poderemos ter emissoras fechadas pagando caro por direitos televisivos que não sejam de futebol, local em que outros esportes até conseguem espaço.

Para encerrar deixo uma pergunta: é melhor ter muita atenção de um canal pago com bom alcance e investimento em algo que cresce, ou ser exibido uma vez ou outra na TV aberta, só por exibir? Não devemos ignorar ou desdenhar do poder da TV aberta e de seu alcance, mas os tempos estão mudando.